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"Deixa Elas falar!"

  • Elisangela Machado

Descortinando a aprendizagem em tempos pandêmicos

O ano de 2020, sem traço de dúvida, devido à pandemia por COVID-19, será um marco da aceleração das “coisas”. Nos últimos cem anos, não houve em tão pouco tempo tamanha transformação dos hábitos e a disponibilização de tantas soluções inovadoras para driblar a crise econômica, política, sanitária e o isolamento social. No campo educacional, que já vinha concedendo espaço ao ensino em ambientes virtuais, a oferta de cursos ampliou-se explosivamente e incorporou vários recursos das tecnologias digitais ao processo de ensino-aprendizagem.

A pandemia de coronavírus trouxe muitos desafios às pessoas, e com eles a necessidade de se qualificar rapidamente para esse cenário pandêmico e se preparar para o por-vir. As aulas, cursos, palestras, treinamentos, grupos de estudos, tudo em ambiente online, entraram na lista dos precavidos e estratégicos, ávidos por novos saberes. De outra parte, profissionais, empresas e instituições de ensino veem nesse movimento uma oportunidade como alternativa de capitalização.

O ambiente online conquistou espaço como ambiente educacional e é possível que, após a pandemia, se consolide como uma forma de ensino possível e necessária. Não apenas devido às barreiras sanitárias e redução de custos, mas também pela flexibilidade de horário, autonomia e tempo que oferece aos interessados nos cursos. Não raro, basta um passeio pelo feed das redes sociais, para observar o desfile de ofertas de webinars e lives promocionais apresentadas por meio de superlativos e promessas de resolver todas as lacunas do conhecimento sobre determinado tema, um convite de cor e sorrisos, direcionado aos intencionados em ampliar suas habilidades profissionais ou até mesmo dinamizar a agenda de afazeres durante o isolamento social.

A atração luminosa não se restringe à fase da divulgação, é vista também nas palestras de apresentação e nos cursos propriamente ditos. Por meio dela, observa-se uma lista de conteúdos dissociados do tempo e em emaranhado arsenal de recursos tecnológicos. Denomino a isso “síndrome da pirotecnia digital”, ou seja, uma mistura quase imperfeita de muitos recursos técnicos e conteúdos, baixo domínio pedagógico, baixo nível de aprendizagem e alta evasão.

Veja bem, a culpa não é do marketing, do design gráfico ou das ferramentas tecnológicas, mas sim do ímpeto de desenvolver um novo produto e se aventurar numa seara na qual não se tem habilidades adquiridas na formação com base nas teorias educacionais e pedagógicas. Os profissionais acometidos da “síndrome da pirotecnia digital” têm sintomas de professor, se parecem, comportam, mas não o são por origem de formação na graduação ou nos cursos complementares. No geral, dominam o tema de suas áreas de atuação profissional, têm boa oratória e são excelentes palestrantes. Contudo, encontram-se emaranhados na terrível disparada tecnológica que nos catapulta aos algoritmos por resultados de engajamento e dissocia o ato de ensinar da empatia que lhe é essencial.


Portanto, é momento propício para refletir sobre como atuar respaldando-se em conhecimentos pedagógicos com ressignificação dos processos de ensino-aprendizagem. E, nessa perspectiva, orientada pelas teorias pedagógicas, é importante considerar que os recursos tecnológicos, do marketing e do design gráfico não podem ser vistos apenas como aparatos midiáticos para atrair participantes aos cursos e manter a atenção no professor. Eles são muito mais, o foco deve se voltar para a aprendizagem. Os recursos tecnológicos devem, sim, ser reconhecidos como elementos facilitadores da interrelação professor-conteúdo-aluno. Isso possibilita conceber novas formas e processos de produção, disponibilização e recepção dos conteúdos e, consequentemente, gerar conhecimento nos interessados (1).

Essa compreensão permite, no momento atual, para além dos procedimentos do uso da oratória em voga, refletir sobre a emergência de novo paradigma para a educação mediada por tecnologias, na qual reconhecemos o potencial dos professores de ensinar com intencionalidade atencional, recursividade infinita e, principalmente, com reciprocidade interpessoal. O instrutor é reconhecido e exerce suas capacidades sociais e afetivas, capacidades pedagógicas únicas e que precisam ser acionadas como essência, muito para além dos recursos tecnológicos (2).

Assumida essa capacidade pedagógica de mediadora na produção do conhecimento, qualquer processo de formação é concebido com a interação compartilhada entre dois sujeitos inseparáveis, o que ensina e o que aprende, com suporte dos recursos técnicos. É dessa interrelação complexa, subjetiva e nada previsível que deve emergir o processo de ensino-aprendizagem no ambiente online, estrategicamente planejada pela instrutora. Sobressai a qualidade da mediação planejada do ensino, que é o conteúdo internalizado e imediatamente colocado em prática pelos que aprendem.

Portanto, falar, dizer, proferir, explanar, conferenciar, palestrar por horas em ambiente virtual não é ensinar!

Na perspectiva teórica construtivista, a aquisição de conhecimento se dá pela interação do sujeito com o meio e cada indivíduo possui seu próprio sistema interno de auto-aprendizagem para assimilar novas experiências (3). A internalização de novas experiências é potencializada de acordo com a seleção dos métodos de ensino que estimulam a aprendizagem ativa pelos próprios aprendizes, mas não sem considerar seus conhecimentos prévios. Isto é, o sujeito adquire conhecimentos a partir de relações intra e interpessoais e a troca com o meio é facilitada pelos recursos empregados na intenção de ensinar.

A base desse processo de construção mútua dos pilares do saber e do agir, fundamentada no construtivismo, permite a associação de mútuas ações e recursos, de forma dinâmica, envolvendo agentes e estrutura de maneira a gerar um novo conhecimento. A informação assimilada, transformada em conhecimento e logo colocado em prática por aqueles que aprendem, possui força maior que as estruturas tecnológicas disponíveis.


Sendo assim, é a seleção adequada dos métodos ativos pela instrutora que gera motivação para a aprendizagem, isto feito com intenção pedagógica na fase de elaboração do plano e na seleção dos métodos de facilitação da interação (4) , favorecendo aos indivíduos o acesso a novas informações, novo pensamento e novas ferramentas que lhe permitam ascender de forma mais satisfatória, criativa e crítica ao conhecimento, levando-o a responder aos desafios da sociedade do conhecimento, assim como aos desafios de inovação da sociedade.

Ainda, à luz da teoria construtivista, a ação criadora, inovadora do indivíduo é despertada quando este é colocado como ser ativo de seu processo de aprendizagem e quando desafios lhe são apresentados, e não quando se encontra na posição de receptor de informações decupadas por um outro sujeito. Dessa forma, os cursos devem ser um consistente convite ao desafio: estabelecer perguntas, despertar a curiosidade, levar ao interesse de conhecer, compreender e, por fim, a partir do novo input de conhecimentos, criar e gerar output, inovar (5). Cada tema, cada aula deve estabelecer-se como um novo desafio criativo!

Uma mudança em curso, testada por Vanessa Lemos com 12 gestores de uma mesma organização, promove um espaço formativo, permitindo aos participantes refletirem sobre as ações individuais e coletivas nas questões, situações ou incidente crítico que os envolvem. A metodologia segue um ciclo que aprimora a prática entre a mobilização do aprendiz e o agir, e, ao final da roda de conversas, promovida em seis encontros, é formulado um conjunto de soft skills que será requerido na solução ao problema apresentado ao iniciar os encontros.

Pode-se inferir desse estudo que o conhecimento é construído pelo aprendiz ao buscar soluções aos problemas propostos, na interação com outros participantes e com a mediadora do processo. Sendo assim, o indivíduo constrói o conhecimento a partir do conflito entre o inventário daquilo que já sabe e as novas experiências de conhecimento a que se expõe. O papel da instrutora é mediar o processo de construção do conhecimento dos que aprendem. Nesse sentido, a instrutora construtivista é uma mediadora entre o estoque de conhecimento existente nas áreas técnicas do saber e o conhecimento que se formará nos interessados.

Na prática de ensino construtivista, a aprendizagem ocorre por meio da ação permanente de (re)construção que, consequentemente, resulta na formação de novas estruturas cognitivas, onde os estímulos gerados possibilitam a formação de novas conexões entre conhecimentos, e isso se dá pelo embate entre concepções de mundo, saberes e fazeres. Inclusive, leva a novas práticas no ato de ensinar em ambientes virtuais!

#ead #construtivismo #conhecimento #elearning #aprendizagem

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